03/08/2018

O que é a luz líquida e por que é considerada o 5º estado da matéria

“Uma corrente de luz dourada e fria como a água começou a sair da lâmpada quebrada, e eles a deixaram correr até o nível atingir quatro palmos. Então, eles cortaram a corrente, pegaram o barco e navegaram à vontade entre as ilhas da casa”, escreve o Nobel de Literatura. A cena, por mais fantástica que pareça, não está tão longe […]
03/08/2018

Humanos colocam em perigo um terço das reservas naturais da Terra

Os governos criaram as áreas protegidas para que animais e plantas possam viver sem que a ação humana os afete, já que, de outra maneira, acabariam extintos. São lugares especiais, presentes às gerações futuras e para todas as formas de vida não humanas no planeta. Mas de acordo com um estudo publicado na revista Science, quase um terço dessas áreas protegidas […]
03/08/2018

O que a mudança climática pode impactar na agricultura e alimentação

As mudanças climáticas estão oscilando cada vez mais, deixando-nos inseguros e preocupados. A Organização das Nações para Agricultura e Alimentação (FAO) acredita que em torno de 830 milhões de pessoas sofreram e sofrem de insegurança alimentar, com isso as mudanças climáticas podem afetar cada vez mais esses índices nos próximos anos, proporcionando escassez de alimentos e fome, por causa das […]
25/07/2018

Brasil desperdiçou seis Cantareiras cheios em um ano devido a perdas na distribuição

A perda por água potável no sistema de distribuição chega a R$ 10 bilhões por ano. É o que aponta o novo estudo do Movimento Menos Perda, Mais Água, do Pacto Global, iniciativa da ONU, feito com o Instituto Trata Brasil e com a GO Associados, que será apresentado hoje em evento na Fiesp sobre a Semana do Meio Ambiente. […]
25/07/2018

Casal pinta casa com quadro de Van Gogh para filho autista não se perder

‘A Noite Estrelada’ é um dos quadros mais conhecidos de Vincent Van Gogh, e está ajudando o filho do casal Nancy Nembhauser e Lubomir Jastrzebski a não se perder na volta para a casa. O jovem de 25 anos tem autismo e é fascinado pelas obras do pintor holandês. “Assim, se ele mencionar a casa de Van Gogh, as pessoas podem ajudá-lo a localizar”, […]

desmatamento de florestas vai provocar um aquecimento do clima global muito mais intenso do que o estimado originalmente, devido às alterações nas emissões de compostos orgânicos voláteis e às coemissões de dióxido de carbono com gases reativos e gases de efeito estufa de meia-vida curta. Um time internacional de pesquisadores, com a participação de cientistas do Instituto de Física (IF) da USP e da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), campus Diadema, calculou a força radiativa do desmatamento, levando em conta não somente o CO2 emitido, mas também o metano, o black carbon (carbono na forma de material particulado), a alteração no albedo (a fração da radiação refletida de volta ao espaço) de superfície e todos os efeitos radiativos conhecidos. O resultado final aponta que a temperatura vai subir mais do que o previsto anteriormente.

A pesquisa foi publicada recentemente na revista Nature Communications e utilizou detalhados modelos climáticos globais acoplados à química de gases e partículas em alta resolução. Descobriu-se que as emissões de florestas que resfriam o clima (compostos orgânicos voláteis biogênicos, os BVOCs) ficarão menores, implicando que o desflorestamento pode levar a temperaturas mais altas do que o considerado em estudos anteriores.

O físico Paulo Artaxo, do IF, um dos autores do estudo, explica que os BVOCs são gases emitidos naturalmente pelas plantas como parte de seu metabolismo. “Eles se transformam, em parte, em partículas. Na Amazônia, a maior parte das partículas em suspensão na atmosfera são provenientes da oxidação destes BVOCs. As partículas que são associadas com os BVOCs resfriam o clima do planeta, sendo mais um serviço ambiental que as florestas realizam”, descreve o físico. Ele também afirma que a maior parte dos estudos dos impactos climáticos do desmatamento publicados anteriormente focou somente as emissões de CO2.

Estudos de impactos climáticos do desmatamento anteriores focaram as emissões de CO2. Agora, descobriu-se que as emissões de florestas que resfriam o clima ficarão menores, o que pode levar a temperaturas mais altas do que o considerado nas primeiras pesquisas – Foto: Marizilda Cruppe – Divulgação/Greenpeace

“Neste novo estudo, levamos em conta a redução das emissões de BVOCs, a emissão de black carbon, metano e os demais gases de efeito estufa de vida curta”, explica. Os BVOCs participam de complexas reações químicas e podem produzir ozônio e metano, ambos gases de efeito estufa de meia-vida curta, isto é, com eliminação em menor tempo.

“O estudo considerou todos esses fatores conjuntamente, além das mudanças no albedo de superfície, quando derrubamos uma floresta e a trocamos para pastagem ou plantações”, acrescenta. Os gases de efeito estufa de meia-vida curta (do inglês Short Lived Climate Pollutants – SLCP) consistem em metano (CH4) e precursores de ozônio que aquecem a atmosfera e têm meia-vida muito mais curta do que a do CO2. Estes gases são emitidos conjuntamente com o CO2 no processo de desmatamento e queimadas, como ocorre na Amazônia. Seu efeito no clima é forte, pois são mais potentes que o CO2 para fazerem efeito estufa.

Regulação de temperatura

Levando em conta todos esses fatores, observou-se que as emissões das florestas que esfriam o clima têm um papel enorme na regulação da temperatura do planeta. “Derrubando as florestas, acabamos com este efeito esfriador, e aumentamos o aquecimento global.” Artaxo coloca que o efeito global é de um aquecimento adicional de 0.8 °C, em um cenário de desmatamento total. “Isso é um valor alto, comparável ao atual aquecimento médio global (cerca de 1.2 °C) ocorrido com todas as emissões antropogênicas desde 1850”, diz o físico.

A figura abaixo mostra que esse aquecimento é desigual, sendo maior nos trópicos, onde foi previsto um aquecimento de cerca de 2 graus na Amazônia: 

Imagem: Divulgação/IF

Luciana Rizzo, professora da Unifesp, outra coautora do estudo, salienta que, nos trópicos, o efeito atual das emissões de VOCs resfriando o clima é mais forte do que em florestas temperadas. “Portanto, o desmatamento nos trópicos tem um efeito mais importante no clima global”, conclui.

O artigo na revista Nature CommunicationsImpact on short-lived climate forcers increases projected warming due to deforestation, pode ser acessado livremente neste link.

Da Assessoria de Comunicação do Instituto de Física (IF) da USP

Mais informações: (11) 3091-7016, e-mail artaxo@if.usp.br, com o professor Paulo Artaxo

 

srzz

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