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Troca em busca de modernidade gera problemas com o lixo eletrônico

Fonte: G1
A gente está vivendo uma época em que quase todo mundo depende da tecnologia e toda hora buscamos equipamentos mais novos e modernos. Hoje já é quase normal acumular um monte de aparelhos sem utilidade, você tem ideia, por exemplo, de quanta coisa está parada, sem uso, dentro da sua casa? Esse material poderia ter outro destino e ajudar a preservar a natureza.

O comportamento já é comum entre os brasileiros.

“50% dos aparelhos que poderiam ser descartados estão na casa dos consumidores”, diz Kami Sadi, diretor de operações, manufatura e sustentabilidade da HP Brasil.

Ao mesmo tempo, a substituição dos equipamentos em uso nunca foi tão rápida. Quanto anos duravam as máquinas acumuladas em um depósito de um museu da informática?

“Elas foram feitas para durar 40, 50 anos, mas hoje não. Hoje se descuidar, cair no chão, quebrou o espelhinho ali, pronto, acabou”, explica José Carlos Valle, técnico de computação.

É o que movimenta a indústria, a economia, diz o especialista da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Claro Tomaselli, em São Paulo. Um caminho sem volta.
“Você não tem como fugir da tecnologia, produzir lixo eletrônico é uma questão que as empresas vão ter que saber lidar. O produto delas, querendo ou não, vai ter um grau de obsolescência alto, mesmo que se fale que vai dobrar o tempo de vida útil de um celular. Vai passar de seis meses para um ano. Vai passar para 2 anos. Ainda assim você consome eletrônico em algo que o planeta não consegue comportar”.

O celular é mesmo o melhor exemplo disso. Por um lado, ele dispensa o uso de outros aparelhos maiores ao concentrar funções, mas por outro, o número de aparelhos é colossal: 300 milhões foram vendidos no Brasil desde 2009.
Quase todo mundo diz repassar celulares, vendendo, doando para parentes, amigos. Já a reciclagem…

“Infelizmente a reciclagem não tem acompanhado muito as vendas de celulares nas lojas. Hoje nem 1% a gente consegue reciclar no Brasil”, explica Marcelo Oliveira, diretor comercial.

Marcelo dirige uma recicladora em São José dos Campos, no interior paulista, que recebe aparelhos das principais operadoras do país.

Em 2015, o número de celulares reciclados na empresa já é 30% menor do que nos dois anos anteriores, principalmente porque a matéria-prima não chega.
A maior operadora do país diz ter levado quase 10 anos para recolher 1 milhão de aparelhos. Pouco, considerando o tamanho do mercado. Mas como será a situação do outro lado do mundo, em um país avançado nesse tipo de assunto?

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