Banco Mundial premia ilustrações sobre a Lei Maria da Penha
24/08/2018
Impacto da mineração no abastecimento de água preocupa ambientalistas e moradores da Grande BH
24/08/2018

O queijo mais velho do mundo é também muito perigoso

Seres humanos produzem e consomem queijo há muito tempo, como atesta a recente descoberta de um pedaço desse alimento delicioso de 3.200 anos, em uma tumba egípcia.

Por mais gostoso que o queijo pudesse ter sido, no entanto, também era uma potencial fonte de doença.

Composição

Este é provavelmente o mais antigo resíduo sólido arqueológico de queijo já encontrado.

Datado do século 13 aC, a “massa esbranquiçada” foi descoberta dentro de um jarro.

Apesar de 30 séculos de exposição a condições severas do deserto, o composto reteve o suficiente de seu conteúdo químico original para os cientistas estudarem suas origens.

Além de determinar o tipo de leite animal usado para fabricar o queijo, os pesquisadores também detectaram traços de uma bactéria perigosa que nos atormenta até hoje.

A tumba

O túmulo que continha o pote de queijo foi descoberto em 1885, mas logo foi esquecido e subsequentemente perdido depois que areias saarianas soterraram o sítio arqueológico.

Em 2010, o local foi reexaminado por pesquisadores franceses. Ladrões de túmulos já haviam saqueado a tumba, mas diversos potes de cerâmica foram deixados para trás.

O jarro contendo o queijo antigo foi enterrado ao lado de Ptahmes, antigo governante da cidade egípcia de Memphis, a capital do Baixo Egito na época.

O sítio arqueológico remonta à XIX dinastia egípcia, que governou a região de 1292 a 1189 aC. Como figura política, Ptahmes era importante. Além de seus deveres como “prefeito” de Memphis, era chefe militar do estado-maior e supervisionava o tesouro da cidade. Após sua morte, seu status foi elevado a Sumo Sacerdote do deus Amon, uma antiga divindade egípcia.

Conforme aponta o novo estudo, Ptahmes também pode ter tido uma queda por queijo.

Quase 33 séculos de exposição ao ambiente altamente alcalino do deserto alteraram a natureza química da amostra, particularmente seu conteúdo graxo, o que dificultou a análise do alimento.

Para estudar o queijo, a equipe liderada por Enrico Greco, da Universidade de Catania (Itália), precisou conceber uma maneira nova de examinar proteínas e identificar marcadores peptídicos (cadeias curtas de aminoácidos que sinalizam a presença de substâncias específicas).

Depois de dissolver pedaços da massa branca, a equipe de Greco isolou e purificou pequenas porções de proteína. As proteínas foram cuidadosamente analisadas usando espectrometria de massa e cromatografia líquida.

No final das contas, os pesquisadores conseguiram identificar a substância com segurança como um tipo de queijo sólido.

Gostoso e perigoso

Os cientistas concluíram que o alimento lácteo foi produzido a partir de uma mistura de leite de cabra, de ovelha e, estranhamente, de búfalo-africano – uma espécie não tipicamente associada a animais domésticos mantidos e ordenhados na África moderna.

A análise do pano encontrado em cima do queijo mostrou que o material era bom para manter substâncias sólidas, não líquidas. A lona era provavelmente utilizada para cobrir o queijo ou, possivelmente, o topo do frasco onde se encontrava.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, a maneira mais comum de ser infectado com Brucella melitensis é através do consumo laticínios não pasteurizados/crus. Quando ovelhas, cabras, vacas ou camelos são infectados, o leite fica contaminado com a bactéria e, se não for pasteurizado, ela pode ser transmitida para pessoas.

Quanto ao sabor e textura do queijo, ele teria uma consistência semelhante à do chèvre (queijo francês feito com leite de cabra), mas com um toque ácido. Também seria úmido.

Brucelose

A brucelose normalmente não é fatal, mas é desagradável. Sintomas incluem febre, suores noturnos, mal-estar e dores musculares, com potenciais problemas de saúde a longo prazo como artrite, inchaço dos testículos, fadiga crônica e endocardite.

Evidências arqueológicas já mostraram que os antigos egípcios não eram estranhos à brucelose. A descoberta recente fornece mais uma prova da presença deste tipo de infecção, e seus meios de transmissão através de queijo contaminado, durante este período.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Analytical Chemistry. [Gizmodo]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

19 + nove =