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China desistiu de receber metade dos resíduos plásticos do mundo

Só em 2016, o país recebeu 7,3 milhões de toneladas de materiais plásticos, representando metade da geração plástica do mundo, mas uma nova legislação quer mudar isso.

A nova legislação

Para as nações desenvolvidas, o envio de materiais recicláveis para a China é bastante vantajoso, pois eles conseguem se livrar de seus resíduos de maneira barata, aproveitando os navios que retornam vazios para o país asiático após a entrega de bens de consumo na Europa e América do Norte.

Porém, no início do ano, entrou em vigor a nova legislação de importação de resíduos sólidos para China, cerca de 24 categorias de materiais estrangeiros não poderão mais entrar no país. Os países exportadores de “lixo” terão até junho de 2018 para achar uma nova solução para destinação de parte seus resíduos.

De maneira alguma, isso quer dizer que a China irá parar de receber os materiais, mas sim, ser mais rigorosa na questão da qualidade e padrão dos resíduos que chegam até o país, garantindo a segregação e acondicionamento adequado e evitando contaminações.

Problemas ambientais e sanitários

reciclagem-plastico-china

A princípio o fato da China receber grandes quantidades de materiais que são destinadas para a reciclagem não parece ser um grande problema e, no geral, pode ser vista como uma boa ação ambiental e de promoção da economia chinesa.

Mas os problemas surgem por conta da qualidade dos resíduos que chegam à Ásia. O Ministério do Meio Ambiente explica em um aviso à Organização Mundial do Comércio “Grandes quantidades de resíduos sujos ou mesmo perigosos são misturadas nos resíduos sólidos que podem ser usados ​​como matérias-primas. Isso poluiu o ambiente da China seriamente.”

Esses materiais sujos e perigosos, que chegam misturados, não são reaproveitados na triagem e acabam sendo descartados em regiões rurais próximas, causando contaminação do solo e água além da possibilidade de ingestão dos mesmos pelos animais de criação. Outra solução que os agricultores recorrem é a queima desses materiais, liberando para o ambiente altas doses de fumaça tóxica.

Apesar de garantir o sustento de milhares de famílias chinesas, as condições de trabalho na triagem e reciclagem dos materiais são bastante informais e insalubres, contando com longas jornadas de trabalho, uso de mão de obra infantil e falta de equipamentos de proteção pessoal.

Taxas de exportação

Em 2016, países pertencentes à União Europeia exportaram metade de seus resíduos plásticos gerados, sendo 85% enviados diretamente para a China. Internamente a Europa afirma reciclar 30% desse material, enquanto os EUA estão na faixa de 9% apenas.

A Irlanda ganha destaque em sua taxa de destinação, pois 95% de sua geração plástica também foi enviada para o país asiático nesse mesmo ano. Assim como os EUA, que destinaram para a China 16 milhões de commodities de sucata para o país, representando o valor de 5,2 bilhões de dólares.

Perspectivas do futuro da reciclagem

De modo geral, a expectativa é que a nova legislação promova melhores medidas de descarte e reciclagem no mundo e condições de trabalho razoáveis no país asiático.

A proibição de determinados tipos de plástico, por exemplo, preocupa os donos das empresas de reciclagem, já que mais da metade de sua matéria-prima era importada de países desenvolvidos. Acredita-se que por conta disso, o preço de determinados tipos de materiais irá subir e a produção terá que ser reduzida, diminuindo a economia de cidades e famílias que dependem exclusivamente de tal atividade.

O chefe do Escritório Internacional da Reciclagem, Arnaud Brunet, estima que a exportação mundial de plástico pode cair de 7,4 milhões de toneladas para 1,5 milhão em 2018. Enquanto as exportações de papel vão reduzir em quase um quarto.

Por outro lado, espera-se que com a mudança, a China melhore seus sistemas internos de reciclagem e busque por materiais dentro do próprio país.

Atualmente o envio de plásticos aos aterros sanitários é proibido por lei em diversos países, obrigando os governos nacionais a planejarem políticas públicas internas de tratamento de seus resíduos. Na Europa, a nova dinâmica estimulará fortemente a busca de desenvolvimentos internos de reciclagem, assim como nos EUA, que não investem em uma nova indústria de reciclagem há mais de 20 anos.  Além de soluções a longo prazo, como mudança do comportamento do consumidor em diminuir o descarte de embalagens descartáveis.

“O mundo não pode continuar com o atual modelo de consumo de desperdício baseado no crescimento infinito em um mundo finito. Em vez de encontrar novos lugares para exportar resíduos, os governos e o setor privado devem encontrar maneiras de simplesmente reduzir a quantidade de resíduos que estamos criando”, disse o coordenador da campanha contra plásticos do Greenpeace Asia, Liu Hua.

Alguns países desenvolvidos estão buscando também novos lugares próximos à China, como Índia e Paquistão.

Fonte: Exame e Carta Capital

 

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