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Fonte: Portal Amazônia

Entre as dificuldades da Política Nacional de Resíduos Sólidos, está o acesso aos municípios, o que exige locomoção por meio fluvial ou rodoviário

Nos últimos três anos a capital do Amazonas obteve avanços na reciclagem. De 2013 aos primeiros meses de 2016, a taxa de reaproveitamento (com base no serviço público de coleta de lixo) cresceu de 0,17% para 3%. O município aumentou em 18 vezes o volume de recuperação de resíduos sólidos, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp). Entre as ações contribuintes à reutilização de produtos, na capital, está a recuperação de equipamentos eletrônicos, trabalho desenvolvido por empresas como a Descarte Correto, que durante os cinco anos de existência processou mais de 300 toneladas de resíduos tecnológicos, com a restauração de cerca de 500 computadores.

O proprietário da Descarte Correto, Alessandro Dinelli, comenta que a falta de informação e o alto custo logístico ainda são os principais entraves para que o descarte de resíduos aconteça de forma apropriada a cada material. Ele frisa que o lixo eletrônico apresenta forte potencial para a ocorrência da logística reversa.

No caso dos produtos industriais, o empresário salienta a necessidade da implementação e cumprimento da responsabilidade compartilhada, diretriz oficializada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) por meio da lei número 12.305/2010. “O ideal é criar vários pontos de coleta independente do fabricante e conforme a marca fazer triagem por produto e uma alternativa é apresentar, quem sabe, a conta do valor correspondente desse material, a essas empresas. A lei não deixa claro quem deve pagar esse valor”, disse. “Aos poucos as pessoas estão se conscientizando que precisam fazer a coleta seletiva. Porém, muitos não sabem para onde devem destinar produtos como remédios, lâmpadas, e até mesmo os eletrônicos”, completou.

A Descarte Correto atua na coleta de materiais de eletrônicos, com foco em informática. A empresa trabalha em parceria com a Amazon Print, que disponibiliza coletores distribuídos nas seis unidades comerciais da cidade. Após o recebimento dos resíduos, a empresa coletora se responsabiliza em separar os insumos e verificar a possibilidade de reaproveitamento em um novo equipamento. A empresa também presta serviço a empresas como a Moto Honda da Amazônia, Panasonic do Brasil Ltda., SC Johnson, Net, Claro, Embratel, entre outras. Um detalhe, é que as máquinas recuperadas são fornecidas a comunidades do interior do Estado por meio do projeto de inclusão digital denominado Interativo. Neste programa, os amazonenses têm acesso a diversos cursos de informática, além de idiomas e 15 modalidades de módulos profissionalizantes.

Atualmente, a empresa atende aos municípios de Parintins (distante 369 quilômetros), Maués (distante 268 quilômetros) e Itacoatiara (distante 270 quilômetros). Somente a comunidade de Maués recebeu doação de 26 computadores recuperados. “A empresa foi criada com a missão de transformar o lixo eletrônico em benefícios de forma sustentável. Aumentamos o tempo de vida do equipamento que é doado às escolas nos municípios, onde temos os centros de inclusão digital e de ensinos profissionais. Por falta de informação muitas pessoas desconhecem a forma correta de descartar um produto. O fator pós-consumo ainda depende muito do posicionamento dos fabricantes que não orientam aos consumidores”, comenta.

Outra alternativa encontrada pela empresa para atender à população de menor poder aquisitivo, com foco nos empreendedores, é o programa Recommerce. A iniciativa disponibiliza as máquinas recuperadas pela Descarte Correto para venda a preços acessíveis que variam entre R$390 e R$560. Os valores podem ser parcelados em até três vezes no cartão de crédito e as máquinas têm garantia de 90 dias.

PNRS ainda é fraco no AM

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o órgão trabalha na elaboração da lei estadual de resíduos sólidos. Nos próximos meses novas audiências públicas estão previstas para acontecer e a legislação deverá ser aprovada até o final deste ano.

A assessoria informou que a coleta e a destinação dos resíduos sólidos competem ao município. Porém, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos impõe a criação de planos estaduais. A Sema fomenta e apoia o trabalho das associações de catadores de produtos recicláveis. Entre as dificuldades para o avanço do PNRS no Amazonas, segundo a assessoria, está o difícil acesso aos municípios, o que exige locomoção por meio fluvial ou rodoviário. Assim, maior percentual da coleta de resíduos se concentra em Manaus.

srzz

 

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